Tumores de Estômago

PÓLIPOS E TUMORES BENIGNOS:

Os tumores benignos do estômago são pouco freqüentes

tumor estomagoPÓLIPOS do ESTÔMAGO

Pólipo é uma saliência que sobressai numa superfície. Os pólipos podem ser tumores benignos ou malignos (em geral não são nem tumores). Apenas 5% dos pólipos gástricos são tumores benignos (adenomas) que podem eventualmente evoluir para tumor maligno. Os pólipos com mais de 5 mm devem ser submetidos a polipectomia por via endoscópica, para serem analisados ao microscópio. Os que têm menos de 5 mm devem ser retirados com a pinça de biópsia. Mais de 95% dos pólipos do estômago, não são tumores, são pólipos hiperplásicos, que não evoluem para o câncer.

TUMORES MALIGNOS DO ESTÔMAGO - ESTROMAIS

No estômago são relativamente freqüente. Tais tumores são de origem mesenquimatosa, aparecendo sob a mucosa fazendo uma procidência (protrusão) para a cavidade do estômago. São quase sempre lesões únicas, arredondadas ou ovaladas que crescem ao mesmo tempo em dois sentidos: para dentro da parede do estômago e para a cavidade do estômago. Por vezes se observa uma depressão ou ulceração. Esses tumores são derivados do , sendo chamados de gastrointestinal stromal tumors (GIST).

A biópsia destas tumores é quase sempre ineficaz para fazer o diagnóstico, mas a ultra-sonografia endoscópica pode distinguir um GIST de um pâncreas ectópico ou de um lipoma ou pode mostrar aspectos sugestivos de malignidade ou pode orientar o trajeto da agulha aspirativa que por vezes conseguir colher material suficiente para citologia e imunohistoquímica.

Os GIST constituem o grupo mais importante dos tumores submucosos por causa do seu potencial de malignização embora apenas 10 a 30% deles tenham um comportamento maligno.

Porque a distinção entre tumores benignos e malignos é por vezes difícil recomenda-se: operar os tumores sintomáticos, os que têm mais de 3 cm ou se a ecoendoscopia mostra sinais suspeitos de malignidade. Os tumores com menos de 1 cm são benignos e não justificam tratamento. Os tumores com 1 a 3 cm assintomáticos, devem ser vigiados, mas, nos indivíduos jovens sem contra-indicações à cirurgia a atitude mais prudente é a cirurgia ou pelo menos a cirurgia endoscópica.

Mais de 95% dos cancros do estômago são adenocarcinomas ( tumores malignos do tecido epitelial ). Os linfomas e outros cancros mais raros representam menos de 5% dos tumores malignos do estômago.

PERGUNTAS COMUNS

O Câncer de Estômago é frequente?

O câncer do estômago tem diminuído nos últimos 50 anos mas é ainda um mais frequentes da humanidade ( 2ª causa de morte por tumores a nível mundial ) e é sobretudo frequente no Japão e no Chile. Antes dos 50 anos de idade é raro.

Como aparecem? Por quê?

Os fatores implicados no aparecimento do câncer do estômago são vários ( a etiologia é multifactorial ).

- Os nitratos que ingerimos podem ser transformados em nitritos e dar origem a nitrosaminas carcinogênicas
- O álcool e o tabaco
- Helicobacter pylori. A OMS classificou o Helicobacter pylori como carcinogéneo mas, só uma minoria das pessoas infectadas com o H. pylori, desenvolvem o câncer do estômago. A gastrite crónica causada pelo H. pylori, em determinadas condições, relacionadas com a virulência de certas estirpes do Helicobacter pylori, e com certos genes do hospedeiro, transforma-se em gastrite atrófica e metaplasia intestinal (a mucosa do estômago é substituída por mucosa intestinal ) que em alguns raros casos, e em circunstâncias especiais, evolui para o câncer do estômago. Esta evolução da gastrite crónica até o câncer é ainda mal conhecida e não temos, por enquanto, maneira de a evitar.

A vacina contra o H. pylori é uma esperança que não parece fácil de conseguir.

- Adenomas - estes tumores benignos são raros no estômago ao contrário do que se passa no cólon. Raramente um câncer do estômago nasce dum adenoma.
- Anemia perniciosa
- Estômago operado: 15 - 20 anos depois de submetido a gastrectomia parcial o estômago restante ( coto gástrico ) tem uma maior incidência de cancro. A gastrectomia parcial, muito utilizada no tratamento da úlcera do duodeno e úlcera do estômago, depois da descoberta do Helicobacter pylori tornou-se uma cirurgia rara.
- Câncer Hereditário do Estômago (CHE) O gene responsável pelo CHE - CDH1 - está localizado no cromossoma 16 e, codifica a proteína Caderina-E. As alterações neste gene levam à inactivação da Caderina-E o que facilita a invasão do tecido adjacente e permite o desprendimento de células tumorais do sítio primário. O carcinoma lobular da mama pode aparecer associado. Desde a década de 90, em que este síndrome foi descrito pela primeira vez, mais de 100 famílias com CHE foram referenciadas. O câncer gástrico aparece na maior parte dos casos antes dos 40 anos e, estão descritos casos aos 14 anos.
- O câncer gástrico pode ser observado em em síndromes de predisposição de câncer : colorretal hereditário sem polipose (HNPCC); Síndrome de Li-Fraumeni (LFS); polipose adenomatosa familiar (FAP); Síndrome de Peutz-Jeghers; e Síndrome de Cowden. Estas situações são muito raras. Entre 5% e 10% dos tumores gástricos podem ser familiares. O câncer gástrico familiar é poligenético.

Como se manifesta o cancro do estômago?

Os sintomas iniciais são vagos (dor no estômago, enfartamento, desconforto ) e não distinguem o câncer do estômago da Dispepsia Funcional ou da Úlcera do Estômago ou Duodeno. A perda de peso, a anorexia, o vómito são sinais de alarme mas, aparecem tardiamente. Por vezes, uma análise ao sangue, mostra a hemoglobina abaixo do valor normal: a anemia por perda de sangue.

Como se faz o diagnóstico?

A endoscopia e a biópsia permitem o diagnóstico. À menor suspeita, no individuo com mais de 45 anos ( o câncer do estômago é muito raro antes dos 45 anos ), o médico manda realizar uma endoscopia alta. A ecografia, eventualmente o TAC são exames importantes que o médico utiliza depois de ter feito o diagnóstico, para caracterizar o tumor, mas não têm valor no diagnóstico precoce.

Tratamento:
A cirurgia é o tratamento standard que pode curar alguns casos e permitir uma melhor qualidade de vida noutros, mesmo sem os curar. A quimioterápia é uma medida complementar do tratamento cirurgico.
Nos cânceres do estômago diagnosticados na fase de câncer precoce ( câncer localizado na mucosa, sem metástases nem infiltração), a cura cirúrgica atinge valores superiores a 90%.
Infelizmente são poucos os cânceres do estômago diagnosticados na fase precoce. No Japão, onde o câncer do estômago é muito freqüente, são feitos programas de rastreio em algumas regiões do país, o que lhes permite detectar muitos tumores na fase de câncer precoce mas, nenhum outro país do mundo leva a cabo esses programas nem é defensável a sua realização.